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              Avós que cuidam ou que “estragam”?

              O que fazer quando avós e pais discordam na maneira de educar as crianças?
                                                                                                                                  Texto Natália Ortega/ Revista NA MOCHILA

              Em muitas famílias, as idas à casa dos avós deixaram de ser visitas de fim de semana e se tornaram parte da rotina diária da criança. Isso porque muitos assumiram a responsabilidade de ficar com os netos, enquanto os filhos trabalham, contribuindo e influenciando na formação dos pequenos. E é aí que a diversão começa, assim como os conflitos sobre a maneira de conduzir a educação das crianças. 

              O assunto é tão frequente que virou até tema de programa de TV. Para Marcelo Cunha Bueno, educador e apresentador do programa “Vigiando a Vovó”, transmitido pelo canal por assinatura GNT, é importante que o papel e a responsabilidade dos pais estejam bem definidos. “A responsabilidade de educar, de colocar limites e de estabelecer as regras é sempre do pai ou da mãe – no caso de termos uma família com essa configuração", salienta.

               

              Pode tudo?

              Um doce antes do almoço, um mimo ou presentinho fora de hora, uma travessura escondida dos pais... A cultura de que na casa dos avós pode tudo traz alento e conforto para as crianças, mas, em exagero, pode fazê-las perder a noção de disciplina. Para a psicólogaMaura de Albanesi, o problema surge quando os netos percebem que podem utilizar os avós para quebrar importantes regras de comportamento estipuladas pelos pais, pois eles acharão que podem conduzir a vida dessa forma.

              Para resolver possíveis desentendimentos entre pais e avós sobre a maneira de educar as crianças, Marcelo indica que sejam mantidos o respeito e o diálogo claro e objetivo para se chegar a um consenso. Os pais devem ponderar que algumas regras podem ser flexibilizadas na relação avós-netos. “Pai e mãe costumam querer que todo mundo seja como eles são: a escola, a televisão e os avós. Mas a riqueza do mundo está na diferença”, alerta Marcelo.

              Da mesma forma, a psicóloga Maura ressalta que os avós devem entender que ajudam no cuidado com a criança a partir do momento que assumem seu papel como coadjuvantes e parceiros desta educação. “Mostrar à criança que mesmo na discórdia são os pais que tomarão a decisão é essencial para o crescimento saudável dos pequenos”, ensina a especialista.

               

              Mimos na medida

              É claro que quando se trata de educação, os avós não devem tirar a autoridade dos filhos, especialmente na frente das crianças. Contudo, os pais precisam entender que a relação existente entre avós e netos tem uma dinâmica diferente e, por isso, não devem podar a experiência única que esse convívio proporciona.

              “É preciso haver um pequeno campo para esses 'mimos', senão a função 'avós', também fica descaracterizada. Eles estreitam os laços de cumplicidade e afrouxam a rigidez das regras, mas devem ser usados sempre em situações controladas, sem riscos e de demonstração de afeto”, ensina Maura.

               

              Convivência cientificamente aprovada

              Independentemente dos conflitos que possam surgir, ninguém discorda que a maior convivência entre avós e netos é bastante positiva para as crianças. Um estudo realizado em 2015 por pesquisadores da Faculdade de Boston, nos Estados Unidos, constatou que uma relação próxima entre essas gerações pode trazer muitos benefícios não apenas às crianças, mas aos idosos também.

              Enquanto os netos contribuem para que seus avós exponham-se a novas ideias e mantenham a mente afiada, ao mesmo tempo recebem sabedoria de vida e importantes orientações que podem ser aplicadas na realidade diária das crianças ou absorvidas e utilizadas em suas vidas adultas.

               

              FÉRIAS NA CASA DOS AVÓS

              Dinei Godoi Rosa e Adalberto Rosa são pais do Alexandre, Alisson e Alonso. Os três filhos renderam sete netos, que moram em outras cidades, mas sempre passam uma semana das férias de julho e dezembro na casa dos avós, em Pirassununga (SP). “São as semanas mais aguardadas da nossa vida!”, conta a vovó Dinei. “A casa fica cheia, é um corre-corre, muito barulho com as brincadeiras, mas é uma delícia! Quando vão embora, aí é a choradeira. Choram eles e eu!”, conta. Os avós mimam mesmo. Os filhos dizem que os avós “estragam um pouco”. Só notam que as crianças voltam “mais gordinhas”. “Eu acabo fazendo muita batata-frita e bolo de chocolate todos os dias”, confessa a vovó Dinei. “Aqui a gente se diverte mesmo. Fico com eles até as duas da madrugada, e no dia seguinte quem acorda cedo sou eu”, admite a avó. “Depois, quando voltam pra casa, os pais colocam na rotina outra vez!”

              “Vovó ou vovô podem até discordar, mas nunca contestar a regra dos pais na frente das crianças. Respire e espere um momento a sós para resolver”, alerta MarceloCunha Bueno, educador e apresentador do programa “Vigiando a Vovó”

               

              Nossas fontes:

              Faculdade de Boston: www.bostonglobe.com/lifestyle/2015/12/13/close-grandparent-grandchild-relationships-have-healthy-benefits/kxL8AnugpVBKknDuzHZDKO/story.html

              Marcelo Cunha Bueno, educador, diretor pedagógico da Escola Estilo de Aprender e apresentador do Vigiando a Vovó, no GNT

              Maura de Albanesi, mestre em Psicologia e Religião pela PUC (SP)

               

              FONTE:

              Artigo desenvolvido pelo Projeto Na Mochila, que em parceria com as escolas oferece uma revista por bimestre aos pais de alunos do ensino Infantil e Fundamental I. Para conhecer mais sobre o projeto acesso o site da Na Mochila por aqui.

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