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              Comunicação não violenta

              Praticar o diálogo de forma positiva e pacífica é o primeiro passo para uma educação mais eficiente dentro e fora de casa.
                                                                                                                     Por Jaqueline Lopes / Revista NA MOCHILA-Escolas do Bem

              Quando nos tornamos pais, além dos cuidados com a criança, é preciso educá-la para a vida e para o mundo.  Para algumas famílias, no início, essa tarefa pode até parecer simples, já que podemos reproduzir o exemplo aprendido com a nossa família, com a sociedade em geral – e até com a mídia. Mas no dia-a-dia as questões e os conflitos nesta educação vão surgindo, evoluindo, até que muitas famílias precisam pedir ajuda, pois a missão de criar um filho foge do seu controle. E o que os especialistas garantem é que muitos desses problemas se resumem a falhas no processo de comunicação.

              O psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg acreditava tanto no poder das palavras, que pesquisou novas formas de comunicação, com o objetivo de criar alternativas mais pacíficas de diálogo. Essa maneira de se expressar de forma positiva resultou no que conhecemos hoje por CNV – Comunicação Não Violenta, que tem forte influência na educação das crianças dentro de casa e na escola.

              Entendendo melhor a CNV

              Especialistas garantem que não se trata de técnica de linguagem ou um método de diálogo. A Comunicação Não Violenta vai além, pois abrange valores muito importantes como paciência, dedicação, esforço, prática e envolvimento.

              Letícia Naomi Savitsky, mãe de Helena, 5 anos, e de Heitor, 3 anos, utiliza as técnicas de CNV quando percebe um momento de conflito entre os irmãos. “Sempre me pergunto por que precisa ser de um determinado jeito ou por que precisa ser agora. Depois, verifico os meus sentimentos e, então, vou para a investigação dos sentimentos aliado às necessidades das crianças”, explica. A mãe então procura conversar com as crianças, perguntando sobre o sentimento de cada uma e por que aquele momento ou situação a desagradou. “Só não busco esse diálogo quando as crianças estão num momento de explosão. Sempre espero que se acalmem, respeitando o tempo deles”, conta.

              A psicóloga Lúcia Nabão defende que é preciso mudar o foco da comunicação com os filhos, sem exercer uma postura autoritária e punitiva. Ela explica que num modelo tradicional, os pais são responsáveis de muitas maneiras pelos filhos, em sua formação, educação, sobrevivência, saúde e segurança. Eles se apropriam do poder, do saber e da responsabilidade e lidam com os filhos numa relação vertical. Exercem certa autocracia, fato nomeado na abordagem da Comunicação Não-Violenta de “poder-sobre”. Desta forma, se os seus “comandos” são atendidos, há uma satisfação por parte dos adultos, porém a criança não compreende, o que pode provocar conflitos familiares ainda mais sérios.

              A especialista garante que a CNV oferece uma nova base de relacionamentos familiares e interpessoais, nomeada por “poder-com”.  “Um lado vai se conectar com suas necessidades e também buscar saber as necessidades do outro. Quando as necessidades de ambas as partes envolvidas são nomeadas, os acordos possíveis ficam próximos e tangíveis. Abre-se um leque criativo de estratégias com o objetivo de atender parcialmente a todos”, explica.

              No dia a dia, é comum as pessoas se expressarem de maneiras diferentes e, em muitas delas, deixando falar mais alto sentimentoscomo raiva, medo, tristeza e até frieza, sem perceberem que estão afetadas pelas próprias emoções. Portanto, o objetivo da CNV é resgatar o que o ser humano tem de mais puro, permitindo que ele dialogue com honestidade.Para isso, a pessoa tem que se apoiar e aprimorar em quatro componentes desta técnica que exercem a melhoria do diálogo. Veja como você pode praticar com seus filhos:

               

              1. Observação

              Observar a descrição de uma situação ou fato sem fazer julgamento. E esse é um dos maiores desafios da CNV, pois, mesmo sabendo que não devemos julgar os outros e suas atitudes, é muito difícil aplicar o hábito no dia a dia, especialmente com as crianças. Por exemplo, a mãe abre a porta do quarto do filho e diz:
              “Poxa vida, olhe a bagunça que você fez de novo aqui. Toda vez é a mesma coisa!”

              Pode não parecer, mas existe uma carga emocional muito grande nessas frases. Os pais deixam a expectativa de ver um quarto arrumado sobressair ao que está verdadeiramente acontecendo naquele ambiente. O outro que está ouvindo, ou seja, a criança, já se sente inferiorizada em relação àquilo e se arma na defensiva, bloqueando uma comunicação eficiente. Para Flávia Vivaldi, precisamos nos apoiar no que de fato está acontecendo e apontar isso ao ouvinte. Dessa forma, seria melhor dizer algo sem julgamentos ou juízo de valor:

              “Estou vendo uma cama desarrumada, cadernos no chão e lixo pelo quarto”.

               

              1. Sentimento

              Dialogar a partir de um sentimento.

              Em vez de dizer: “Você nunca faz seu dever de casa, seu preguiçoso!”, experimente substituir essa crítica por: “Poxa vida, filho, me sinto triste quando você não faz o dever de casa. Para mim, é muito importante vê-lo estudando!”

               

              1. Necessidade

              Esse componente está relacionado ao sentimento e à bagagem moral que cada indivíduo carrega consigo. E, para não haver julgamentos e nem críticas, cada um deve se responsabilizar pelas próprias emoções. Isso quer dizer que, por exemplo, não se deve atribuir tristezas ou alegrias a outra pessoa.

              Quando os pais pegam o boletim de seus filhos, é normal atribuir críticas ou acusações. Neste acaso, evite se expressar com julgamentos:

              “Ficamos muito desapontados e tristes com suas notas. Você foi um irresponsável!”.

              Em vez disso, use: “Filho, ficamos desapontados e tristes com suas notas baixas, pois é muito importante para nós que você estude e se dedique ao máximo. Queremos o melhor futuro para você”.

              Quando o adulto muda o foco do problema, assume seus sentimentos em relação à situação e passa a pensar melhor em suas reais necessidades. Dessa forma, deixa de culpar as crianças pelas suas emoções.

               

              1. Pedido

              É preciso identificar a necessidade real da situação, deixando de lado os julgamentos e as críticas, tão comuns e imperceptíveis nos diálogos do dia a dia. Além disso, pedir é bem diferente de exigir. Isso porque, quando se exige algo de alguém, denota que o outro será punido se nãoatender à necessidade, impedindo que a pessoa faça o que foi solicitado.

              Quando se trata de crianças, outro fator deve ser levado em consideração. É muito mais fácil de os pequenos atenderem aos pedidos dos pais quando esses são feitos de forma positiva aos pedidos que usam uma linguagem negativa.

              Em vez de dizer: “Não quero mais bagunça nesse quarto!”ou “Não quero mais que bata em seu irmão”, tente as frases: “Que tal você arrumar seu quarto todos os dias? Ele fica bem mais agradável” ou “Seu irmão gosta muito de você. Faça carinho nele mais vezes!”.

              A diferença na clareza do pedido é bem evidente e não deixa a criança com dúvidas.

              Para Flavia, a CNV não deve ser vista apenas como um método de comunicação. Ela é a forma mais pacífica e positiva de vivenciar as relações com outras pessoas, especialmente com a família. Ela ajuda a formar seres humanos com mais compaixão, responsabilidade e consciência. Não é fácil aplicar o diálogo positivo no dia a dia, mas é um exercício que renderá frutos para a toda a vida!

               

              Exemplo de um diálogo com os quatro componentes da CNV:

              “Filho, quando vejo sua cama desarrumada e suas roupas espalhadas pelo chão – Observação

              Eu me sinto irritada – Sentimento

              Porque eu preciso de mais organização no quarto, pois o ambiente se torna mais agradável – Necessidade

              Será que você pode arrumar a cama e guardar asroupas?”–Pedido

               

              Nossas fontes

              Flávia Maria de Campos Vivaldi, pedagoga e mestre em psicologia educacional

              Lucia Maria de Oliveira Nabão, psicóloga

               

              FONTE:

              Artigo desenvolvido pelo projeto NA MOCHILA, que em parceria com as escolas oferece uma revista por bimestre aos pais de alunos do ensino Infantil e Fundamental I. Acesse aqui o site do projeto. 

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