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              Dificuldades de aprendizagem

              Meu filho vai mal na escola. E agora?

              Se as notas baixas persistem, é preciso procurar auxílio. A criança pode ter desde uma dificuldade pontual em alguma matéria específica ou mesmo um transtorno de aprendizagem. Saiba como ajudar.

                                                                                                                                      Por Piero Vergilio / Revista NA MOCHILA

              Ao buscar seu filho na escola, você percebe que ele está tenso – ou mesmo amedrontado – durante todo o trajeto. Os sinais de que alguma coisa errada está acontecendo ficam mais evidentes em casa: inquieto, ele anda de um lado para o outro e se aproxima. Parece tomar coragem para lhe entregar algo importante: o boletim. O motivo de tamanho receio torna-se então explícito, quando você rapidamente constata o mau desempenho em uma ou mais disciplinas.

              Diante desta situação, alguns pais imediatamente esbravejam e estabelecem um castigo para a criança, rotulando-a como “preguiçosa” ou “desinteressada”. Outros não sabem nem mesmo como ou onde procurar ajuda. E se a coleção de notas baixas se torna algo recorrente, aí o sinal de alerta soa muito mais forte.

              Ninguém está a salvo de tirar nota baixa vez ou outra e os pais, por sua vez, devem moderar seu nível de exigência: a oscilação no rendimento é normal. Mas, quando o problema persiste, o melhor caminho é conhecer os fatores que estão afetando o seu desempenho. Há os casos menos complexos, nos quais as notas baixas surgem em decorrência da não adaptação da criança à metodologia de ensino adotada pela escola ou mesmo por um professor, especificamente. “Isso pode ser constatado, por exemplo, após uma troca de colégio – embora a transferência não deva se tornar recorrente, sem o embasamento de um diagnóstico”, explica a neuropsicóloga Anna Carolina Rufino Navatta. “Também é natural que o aluno tenha uma habilidade ou identificação menor com determinada área do conhecimento. Nestas situações, aulas particulares, apoios e reforços podem bastar”, completa.

              Algumas causas

              A especialista alerta para o fato de que disfunções na visão e na audição comumente passam despercebidas pelos pais. Conflitos familiares, traumas, instabilidade emocional, ansiedade e depressão também podem contribuir para uma queda de rendimento. Todavia, um diagnóstico especializado – no qual são aplicados testes para uma avaliação neuropsicológica, fonoaudiológica e psicopedagógica – pode esclarecer o quadro e direcionar para o tratamento mais indicado, evitando outros problemas.

              Fique atento!

              O desempenho escolar do seu filho está abaixo do esperado em uma ou mais disciplinas?

              Antes mesmo de aparecerem as notas baixas, fique atento aos indícios de que ele pode apresentar alguma dificuldade ou transtorno. As dicas são da neuropsicóloga Anna Carolina Rufino Navatta.

              Pais devem:

              • Estar em contato contínuo com a escola
              • Averiguar se a criança está acompanhando a proposta pedagógica, participar das reuniões e manter diálogo constante com professores
              • Observar se a criança não reconhece ou confunde as letras, mesmo após insistentes repetições e trabalho coerente realizado pela escola
              • Atrasos no desenvolvimento da fala e trocas de letras podem ser preditivos de algumas dificuldades
              • Antecedentes na família (pais ou parentes que apresentaram dificuldades escolares)
              • Dificuldade em aprender rimas e músicas
              • Dificuldade para lembrar o nome das coisas
              • Leitura muito lenta, entrecortada, com muitas falhas (mesmo após estimulação)
              • Dificuldades com senso de direção: reconhecimento de direita e esquerda, em cima, embaixo, em frente, atrás
              • Dificuldades para ler horas, sequências (semanas, meses, anos)
              • Observar se há uma discrepância entre a capacidade intelectual e a aprendizagem de leitura / escrita / matemática - “Ele é esperto para tudo, menos para a escola” (pensamento comum entre os pais)
              • Observar se a criança sente dores de cabeça, na barriga ou outros sintomas de mal-estar (às vezes no domingo à noite depois de passar todo o final de semana feliz, ou na hora de ir para escola)

              Transtornos de aprendizagem

              Se, em alguns casos, as dificuldades surgem em decorrência de fatores externos ou temporários, noutros a origem está na neurobiologia. São os chamados transtornos de aprendizagem. A dislexia é um dos principais e se caracteriza pela dificuldade na identificação de letras e formação de sílabas.

              As pessoas nascem com o transtorno, que só se manifesta durante o desenvolvimento, de acordo com as cobranças para as habilidades de pré-alfabetização e depois de alfabetização. Crianças em idade escolar, por exemplo, sofrem nas atividades de leitura e escrita e costumam fazer tudo num ritmo mais lento que os colegas. Se elas não receberem o tratamento adequado, as dificuldades persistirão na vida adulta.

              Um estudante com discalculia, por sua vez, não consegue aprender conceitos básicos da matemática, como, por exemplo, as quatro operações. E a disgrafia relaciona-se aos problemas com a escrita, em função da incapacidade de exercer o pleno controle dos músculos da mão (coordenação motora fina). Há ainda o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDHA), que embora não seja um transtorno de aprendizagem, pode interferir no rendimento escolar de maneira secundária.

              Como explica a neuropsicóloga, é importantíssimo que outras habilidades da criança sejam valorizadas. “O uso de materiais concretos e métodos alternativos auxilia muito quem tem dificuldades nos cálculos. Nos transtornos de leitura, por sua vez, deve-se tomar cuidado na exposição da criança a situações de leitura em voz alta na frente dos colegas, mas, ao mesmo tempo, não é ideal que ela seja excluída desses momentos. De acordo com cada caso, o aluno pode realizar a leitura de algumas palavras especificas para as quais já tenha sido treinado, ou então o professor pode criar situações em grupo e dar para cada integrante uma atribuição”, sugere.

              Anna Navatta defende que a criança com transtornos deve ser acolhida no ambiente escolar. A instituição, por sua vez, deve ficar atenta a provocações e ao bullying. “É comum que estes alunos sejam chamados de ‘burros’, ‘preguiçosos’ e ‘folgados’. Esses rótulos, por vezes, seguem a vida toda com a pessoa”, alerta. Por fim, Anna reitera a importância do diagnóstico precoce, que possibilitará a indicação do tratamento mais adequado. Quanto mais cedo for identificada a causa da dificuldade ou do transtorno, maiores são as chances de sucesso.

              “Escuto algumas pessoas dizerem que têm medo de procurar o 'médico' ou um profissional da saúde, alegando que 'quem procura, acha'. Não podemos ter essa crença distorcida, pois uma vez diagnosticada corretamente, as chances de melhora e de evolução são enormes: a criança disléxica aprenderá a ler, aquela com depressão terá a chance de se recuperar e assimilar meios mais eficientes de pensar e enfrentar situações difíceis, a com ansiedade poderá desenvolver recursos de controle dos sintomas, levando uma vida mais saudável”, finaliza.

              Nossa fonte

              Anna Carolina Rufino Navatta, neuropsicóloga.

               

              Fonte:

              Artigo desenvolvido pelo projeto NA MOCHILA, que em parceria com as escolas oferece uma revista por bimestre aos pais de alunos do ensino Infantil e Fundamental I. Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

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