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              Microcefalia: dos cuidados na gestação ao controle do zika vírus

              Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já enfrenta uma epidemia da má-formação. Entre as possíveis causas, está a infecção pelo vírus transmitido pelo mosquito da dengue.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Por Marisa Sei

              O Brasil já soma 3.448 casos de microcefalia cuja causa suspeita está relacionada ao vírus zika, segundo dados do Ministério da Saúde. São os números de 2015 somados aos de janeiro de 2016. Em 2014, foram registrados 147 casos de microcefalia – o significativo aumento fez cientistas do país inteiro investigarem as reais causas da epidemia. Apesar da relação entre o problema com o vírus zika já ter sido confirmada, ainda não é possível saber ao certo de que forma a doença provoca a má-formação no feto, mas os médicos já têm algumas hipóteses. “Esse novo vírus, para a comunidade médica, tem se revelado muito neurotópico, ou seja, tem grande afinidade pelo sistema nervoso, podendo, assim, causar danos à formação do encéfalo do feto, tendo como consequência a microcefalia”, diz a infectologista Rosana Richtmann, presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital e Maternidade Santa Joana.

              O vírus pelo mundo

              O zika é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, que também transmite o vírus da dengue e da chikungunya. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1947, na Uganda, e foi registrado no Brasil em maio de 2015. Outros países do mundo já haviam confirmado a presença do zika (como México, Colômbia, Chile e algumas regiões da África), porém foi o surto de microcefalia no Brasil que despertou a investigação sobre a relação do vírus com a má-formação. No Taiti, por exemplo, quatro dos 12 casos de microcefalia apresentaram associação com o micro-organismo.

              Sintomas leves, consequências graves

              Os sintomas são semelhantes aos da dengue, como febre, coceira, dor de cabeça, no corpo e atrás dos olhos e manchas vermelhas na pele. Os sinais costumam ser mais leves que o da dengue e podem passar despercebidos pelos pacientes. Por isso mesmo, suspeitava-se de que a doença fosse mais branda, contudo, a relação entre o vírus e a microcefalia preocupa os pesquisadores, que em dezembro de 2015 formaram uma força-tarefa para buscar alternativas para prevenir a doença, já que há estimativa de uma infestação da doença a partir de março deste ano.

              Institutos de outros lugares do mundo, como o Pasteur, na França, também estão colaborando com os estudos. Ainda não existe vacina e nem um teste rápido e barato para diagnosticar a doença, portanto, a principal recomendação é que as gestantes se protejam do mosquito com repelentes e, claro, toda a população contribua evitando os criadouros como recipientes com água parada.

              No caso da microcefalia, o risco se dá caso a mulher contraia o zika durante a gestação. “O vírus circula na corrente sanguínea por pouco tempo, de três a cinco dias, no máximo sete. Assim, caso a mulher tenha tido zika há meses atrás e não estava gestante, não há risco para o feto. Ela deve evitar ao máximo a exposição ao mosquito, usando repelentes próprios para gestantes (o que pode ser conferido na embalagem), vestir roupas que cubram a maior parte do corpo, evitar contato com pessoas com quadro da doença, entre outras medidas”, recomenda Rosana.

              Mas o que é a microcefalia?

              É uma doença que faz com que o cérebro do bebê não cresça corretamente e, por isso, ele também nasce com o crânio menor que o normal. “Nesses casos, o perímetro da cabeça é igual ou menor do que 32cm, o que pode comprometer o seu desenvolvimento. Uma das características da doença é a desproporção entre a face e a caixa craniana”, explica a ginecologista Maria Luiza Mendes, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos.

              A microcefalia pode causar deficiência intelectual e cognitiva, além de atrasos psicomotores que comprometem visão, fala e locomoção – essas condições dependem da gravidade do problema, ou seja, de quanto do tecido cerebral foi afetado. Em algumas crianças, a inteligência não é afetada, mas ainda podem aparecer déficit visual ou auditivo e epilepsia, e não é possível mensurar uma expectativa de vida, uma vez que a microcefalia em decorrência do zika vírus é uma situação nova – até então, surtos do problema também não existiam no país.

              A doença é identificada somente a partir da vigésima semana de gestação, por meio da ultrassonografia, quando se mede o crânio do feto. “Ela é irreversível, portanto, não há tratamentos específicos. É possível melhorar a qualidade de vida e o desenvolvimento da criança com acompanhamento de profissionais como pediatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais”, acrescenta a ginecologista. Esse acompanhamento precisa ser feito desde os primeiros dias de vida do bebê.

              Outras possíveis causas

              Para os pesquisadores, apesar da relação do vírus zika com a microcefalia, é fundamental levar em conta os outros fatores que podem causar o problema no feto, que também está associado a síndromes genéticas, abuso de álcool e drogas durante a gravidez ou infecção por rubéola, catapora, toxoplasmose ou citomegalovírus. “As infecções adquiridas pela mãe e direcionadas ao feto são fatores de risco, especialmente no primeiro trimestre de gestação, período em que o cérebro do bebê está iniciando sua formação”, destaca Maria Luiza.

              Medidas preventivas

              Uma das recomendações do médico para evitar a microcefalia seria a mulher esperar que a situação esteja controlada no país para engravidar, ou conversar bem com uma equipe médica antes de tomar a decisão. Quem já é gestante, porém, deve tomar alguns cuidados importantes:

              - Usar repelentes. O tipo mais procurado pelas gestantes é o produto à base de icaridina, que tem tempo de duração de até 10 horas. Contudo, dermatologistas afirmam que nenhum repelente é contraindicado para grávidas, desde que a reaplicação ocorra no máximo três vezes ao dia. Antes de aplicar qualquer produto, o ideal é consultar o médico.

              - Realizar todos os exames de pré-natal e manter os cuidados indicados para toda gestante, como não ingerir bebidas alcoólicas, não fumar, manter uma alimentação saudável e sempre conversar com o médico sobre o uso de qualquer medicamento.

              - Sempre que possível, utilizar calças e blusas de manga comprida.

              - Evitar acúmulo de lixo e água parada em casa, conferindo todos os locais pelo menos uma vez por semana, evitando também lugares com mosquitos.

              - Manter as portas e janelas fechadas ou com telas.

              Aposte em repelentes eficazes

              Uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, buscou investigar a eficácia de opções naturais de repelentes, como os à base de óleo de cravo ou óleo da planta citronela. Segundo os pesquisadores, esses repelentes não são liberados para comercialização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por não terem proteção comprovada cientificamente. No estudo da Unesp, os repelentes naturais mostraram pouco tempo de proteção, afastando os mosquitos por pouco mais de dois minutos, em média. Já os repelentes com picaridina, um dos mais indicados para afastar o mosquito da dengue, protegeram a pele por cerca de uma hora e meia. Apostar em produtos caseiros ou naturais, portanto, pode ser uma forma complementar de proteção, mas não dispensa os repelentes tradicionais e o combate ao mosquito.

              Casos de microcefalia no Brasil

              - 3.448 casos em 2015 e no mês de janeiro de 2016

              - 830 municípios possuem casos suspeitos de microcefalia relacionada ao vírus zika

              - 38 mortes de bebês com microcefalia estão sendo investigadas

              PERNAMBUCO é o primeiro estado a identificar o aumento de microcefalia e possui 1.185 casos até o momento

              PARAÍBA está em segundo lugar, com 504

              BAHIA é o terceiro estado da lista, com 312 casos

              RIO GRANDE DO NORTE 169 casos

              SERGIPE 146

              ALAGOAS 139

              CEARÁ 134

              MATO GROSSO 123

              RIO DE JANEIRO 118

              Os estados indicados são os com maior número de casos da doença. A maioria se concentra na região Nordeste, porém o vírus também circula pela região Sudeste: além do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo entraram para a lista. No início de janeiro, a cidade de Campinas já apresentava 16 casos de microcefalia, mas que ainda não tinham sido relacionados ao zika vírus.

              Fonte:Ministério da Saúde

              Nossas fontes:

              - Rosana Richtmann, infectologista e presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital e Maternidade Santa Joana

              - Maria Luiza Mendes, ginecologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos

               

              FONTE:

              Artigo desenvolvido pelo projeto NA MOCHILA, que em parceria com as escolas oferece uma revista por bimestre aos pais de alunos do ensino Infantil e Fundamental I. Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

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