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              Primeira Infância - Cantar, brincar, ler...

              Veja por que é importante estimular ao máximo o cérebro da criança nos primeiros anos de vida.                                                                                                                                                                                                       Texto: Natália Negretti / Revista NA MOCHILA

              Que os momentos de lazer e cuidados com os filhos são importantes para uma infância saudável não é segredo para ninguém. Porém, cada vez mais especialistas, principalmente neurocientistas, vêm destacando a importância de cuidar do desenvolvimento neurológico das crianças até os 3 anos de idade.

              O contato profundo com os pais, familiares e cuidadores nos primeiros anos de vida é fundamental para o desenvolvimento da criança, principalmente o cognitivo. Ainda que o cérebro nunca pare de se desenvolver, são nos três primeiros anos que ocorrem as principais transformações nele. Seu potencial nessa fase é enorme, maior que em qualquer outra da vida. Por isso, deve ser explorado ao máximo. “O cérebro adquire maior desenvoltura e tamanho principalmente entre zero e dois anos de vida. Ele se desenvolve muito nesta fase”, afirma o neuropediatra Paulo Breinis. Por isso, crianças pequenas que ainda não frequentam a escola devem ser estimuladas ao máximo para aproveitar esse momento em que seu cérebro está a toda prova. Nada de deixar a criança parada brincando com o tablet, celular ou mesmo assistindo TV.

              Interatividade

              A principal maneira de estimular os pequenos é por meio da interatividade. Conversar, cantar, brincar e diversas outras atividades feitas junto com a criança fazem com que as áreas do lobo frontal associadas à linguagem, ao movimento, à cognição social, à autorregulação e à solução de problemas sejam ativadas, o que gera benefícios para toda a vida. “Quanto mais a criança for estimulada até os três anos, mais ela vai sair ganhando. Não tem receita de bolo. Os pais devem ter bastante contato, fazer atividades e viver em um ambiente agradável”, explica Breinis.

              Palavra de especialista

              Após estudarem a fundo sobre a importância dos cuidados dos pais durante a primeira infância, especialistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desenvolveram o programa The Boston Basics, que são princípios básicos a serem adotados de forma divertida, simples e poderosa pelos pais em seus filhos de até três anos que ainda não estão na escola e carecem ainda mais de estímulos. “Bebês e crianças são mais espertas do que imaginamos. Eles se comunicam por sons, movimentos e expressões faciais. Quanto mais nós respondemos à sua comunicação, mais inteligentes e felizes se tornam”, expõe Ronald Ferguson, professor idealizador do projeto.

              O objetivo dos princípios de Boston é estimular as crianças pequenas que estão fora da escola, principalmente as de menor renda.  Para os idealizadores, as crianças que não recebem estímulos importantes até os três anos acabam tendo disparidades de aprendizagem em relação às que frequentaram a escola nesse período. Essas disparidades serão muito perceptíveis na vida adulta, por isso a importância do desenvolvimento cognitivo desde os primeiros dias de um bebê.

              O programa foi implantado em todas as instituições da cidade norte-americana de Boston, desde escolas e maternidades até hospitais e igrejas. Por meio de vídeos é feita uma divulgação da importância de se aplicar os cinco princípios. A ideia é trabalhar a forma como os pais cuidam e interagem com seus filhos pequenos aplicando reforços positivos nas ações do dia a dia.

              Partindo da ideia de que o aprendizado se inicia desde os primeiros momentos de vida, os princípios podem ser aplicados desde os primeiros dias após o nascimento do bebê. “Por exemplo, os pais e cuidadores podem segurar o bebê recém-nascido de várias maneiras amáveis, o protegendo de ruídos altos, de falas com raiva e do estresse, ao mesmo tempo em que falam e cantam suavemente”, aponta Ferguson.

              Tanto os pais quanto as mães devem compartilhar a responsabilidade de estimular os filhos, portanto, as atividades devem ser realizadas por ambos, ainda que não juntos ao mesmo tempo. “Ter o amor da mãe e do pai dá ao bebê as melhores chances de um bom começo de vida”, destaca o professor. Além disso, todos ao redor da criança, como tios e avós também podem aplicar os princípios, afinal, um bebê se beneficia de todo o amor e atenção que uma família pode dar.

              Cinco princípios 

              Aprenda, com os princípios de Boston, como estimular adequadamente as crianças de 0 a 3 anos, principalmente as que ainda não estão na escola, para um perfeito desenvolvimento neurológico e cognitivo:

              1 - Maximizar o amor e administrar o estresse

              As crianças precisam saber que existe amor ao seu redor, por isso, as atitudes mais simples como pegar no colo, colocar para dormir ou dar comida devem ser aplicadas com amor. Parece óbvio, já que parte-se do princípio que toda mãe e pai amam seus filhos, mas acontece que nem sempre este amor é demonstrado de forma clara. Carinho, palavras afetuosas e de incentivo, elogios, além do cuidado básico devem fazer parte da rotina da família. Em contrapartida, deve-se administrar o estresse tóxico, isto é, evitar que a criança vivencie os problemas domésticos (brigas, violência, gritos, dificuldades financeiras, separação, entre outros) que acabam se transformando em falta de afeto e de atenção. Os especialistas afirmam que tal estresse marca para sempre a vida das crianças, colaborando para que se tornem adultos problemáticos.

              2 - Falar, cantar e apontar

              Sempre que for se comunicar com os pequenos, procure falar normalmente, sem usar uma linguagem infantilizada. Além disso, associar os objetos com seus nomes (por exemplo, apontando para a fruta do lanche e dizendo “maçã”) é importante para que a criança aprenda novo vocabulário e de forma correta. Nestes momentos de comunicação, é essencial realizar contato visual, pois faz muita diferença na compreensão das crianças.

              3 - Contar, agrupar e comparar

              Nos momentos de brincadeira, busque introduzir o raciocínio matemático. Contar, agrupar e comparar o número de brinquedos, de dedos e demais objetos que estiver em frente ao bebê, por exemplo, introduz a ideia de ordem, sequência e tempo.

              4 - Explorar através do movimento e da brincadeira 

              É preciso manter viva a fascinação e a curiosidade, além disso, incentivar as aptidões tridimensionais, isto é, a noção de presença e espaço. Um exemplo é colocar o bebê para engatinhar e andar nos mais diversos espaços (subida, descida, grama, areia, etc) e deixá-lo em contato com objetos das mais variadas formas (cubos, bolas, etc).

              5 - Ler e discutir 

              A maioria dos pais sabe a importância de ler para os filhos, porém, não basta somente reproduzir as histórias. É preciso atuar, convidar a criança a interpretar junto. Por exemplo, antes de virar a página, pergunte o que a criança acha que vai acontecer a seguir, peça para lembrar o que aconteceu antes e explicar o que está acontecendo na história. Os pequenos precisam ser mais que meros ouvintes, elas devem participar! Uma dica é começar a ler antes mesmo de a criança conseguir responder, pois assim se cria o hábito da leitura.

              O estresse tóxico

              O termo não é muito usado no Brasil, mas significa algo não tão incomum: o estresse familiar. Contas, trabalho, obrigações e tudo mais que uma rotina requer, acabam minando o convívio familiar, deixando, muitas vezes, os pais estressados. O problema surge quando tal estresse não consegue ser administrado e influencia a vida dos filhos. “O estresse tóxico é quando o nível de estresse é alto e permanece elevado por dias e semanas. Isso prejudica a capacidade de desenvolvimento da criança de pensar e de administrar as emoções. Ele pode ter efeitos nocivos em longo prazo sobre a inteligência e o autocontrole da criança”, explica Ferguson.

              Uma forma de tentar minimizar os efeitos do estresse é evitar discutir ou expressar emoções negativas perto das crianças. Porém, se algo aconteceu e ela está com medo, reserve um tempo para acalmá-la. “Abraçá-la, conversar e cantar para ela ajuda para que volte a se sentir segura e protegida”, indica Ferguson.

              O que não fazer

              - Expor os filhos ao estresse e deixá-los desamparados por muito tempo, para que não se sintam desprotegidos e inseguros.

              - Nada de “pepeta”, “dinda”, “totoso” e outras milhares de palavras erradas. Usar palavras inventadas prejudica o aprendizado da linguagem. “Os bebês estão aprendendo desde o início. É um erro esperar até que você ache que eles compreendem bem antes de falar usando as palavras certas”, enfatiza o professor.

              - As crianças aprendem as noções básicas de matemática desde pequenos, e não somente quando entram na escola. Por isso a importância de apontar, comparar, agrupar, etc.

              - Não demonstrar interesse naquilo que desperta a curiosidade dos filhos é um grande erro. Geralmente, os pais tentam chamar a atenção das crianças para aquilo que eles acham interessante, quando na realidade, o contrário deve acontecer. “Os pais perdem oportunidades de aprendizagem por não prestar atenção ao que as crianças pequenas parecem interessadas. Isso favorece o desenvolvimento da curiosidade e ajuda a criança a ficar interessada no mundo”, frisa Ferguson.

              - Apenas ler para as crianças não é o suficiente. É preciso discutir a história, mostrar as imagens, explorar as cores, enfim, ajudá-las a aprender e pensar. 

              Nossas fontes

              Paulo Breinis, neuropediatra e professor de neurologia infantil da Faculdade de Medicina do ABC

              Ronald Ferguson, diretor do Achievement Gap Initiative, da Universidade de Harvard

              Artigo Review of the Science Behind the Boston Basics Early Childhood Caregiving Behaviors for Ages 0 to 3, do The Achievement Gap Initiative, da Universidade de Harvard

               

              FONTE:

              Artigo desenvolvido pelo projeto Na Mochila, que em parceria com as escolas oferece uma revista por bimestre aos pais de alunos do ensino Infantil e Fundamental I. Conheça mais do projeto Na Mochila clicando aqui.

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