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              TDAH

              Medicar é preciso?

              Será que o uso de remédios é a melhor solução para tratar o Déficit de Atenção?

                                                                                                                                       Por Rose Araújo / Revista NA MOCHILA

              O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) exige uma força-tarefa para seu tratamento, envolvendo profissionais de várias áreas, em conjunto com a família. A indicação de remédios é defendida por alguns especialistas como a maneira mais eficaz de amenizar os sintomas do transtorno – como a falta de foco, a impulsividade e a hiperatividade. Por outro lado, há quem condene as medicações utilizadas para essa finalidade, criticando seus efeitos colaterais e, principalmente, o uso indiscriminado do medicamento. 

              Para a neurologista Silvana Frizzo, a prescrição do medicamento é necessária para equilibrar substâncias químicas no cérebro que interferem no comportamento do seu portador. O medicamento serve para reequilibrar e reajustar essa falta, principalmente por via da dopamina, prejudicada nesses pacientes. “A terapia por si só ajuda a melhorar 30% do transtorno, já a ação do remédio controla 60%. Os dois juntos chegam a quase 100% de melhoria”, destaca Silvana.

              Eficácia dos medicamentos

              Um grande estudo realizado em centros universitários nos Estados Unidos e no Canadá (denominado MTA - Multimodal Treatment Assessment) teve por objetivo verificar até que ponto o uso de medicamentos é eficaz no tratamento. No total, participaram da pesquisa cinco centros de estudo norte-americanos e um canadense, que analisaram 579 crianças que sofriam de TDAH.

              De acordo com artigo publicado pela Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), o resultado do estudo mostrou que as crianças tratadas com medicamentos, seja associado ao uso de psicoterapia ou não, tiveram elevado grau de melhora e um controle maior dos sintomas. Ainda segundo o artigo, já foram realizados mais de 150 estudos internacionais com medicamentos que atualmente são usados para tratar o TDAH. O resultado encontrado, em quase todos, é de que os medicamentos são eficientes e, sempre que são bem administrados, proporcionam uma sensível melhora aos pacientes.

              Porém, é necessário ter certeza de que se trata mesmo do distúrbio. Muitos pacientes são medicados sem um diagnóstico certeiro, contribuindo para o exagero na prescrição medicamentosa e para um alto índice de efeitos adversos.

              “E vale lembrar que o remédio sozinho não soluciona o problema. É preciso planejar um conjunto de ações para o tratamento, incluindo medicamento, psicoterapia e até mesmo apoio familiar para obter sucesso”, salienta Silvana. 

              Para a psiquiatra Eloisa Helena Rubello Valler Celeri, do ambulatório de Psiquiatria e Psicologia Médica do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, TDAH não é sinônimo de medicação à base de metilfenidato. “Antes de prescrever o medicamento, o médico e a família devem avaliar bem os prós e os contras. Às vezes, uma orientação aos pais, uma ajuda pedagógica na escola ou terapia são suficientes para tratar a criança. O psicoestimulante – Ritalina ou outros disponíveis no mercado brasileiro – é uma possibilidade, mas não necessariamente o único caminho para o tratamento”.

              O risco da medicação

              Algumas alas da medicina andam preocupadas com o uso indiscriminado das medicações para o tratamento do TDAH. Esses profissionais alertam sobre as reações adversas e a toxidade dos remédios, que trazem prejuízos para o desenvolvimento das crianças. 

              De acordo com a médica pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, as crianças ainda estão com o organismo em fase de formação e o uso dos remédios pode trazer graves consequências no futuro. “A Ritalina, assim como o Concerta (que tem a mesma substância da Ritalina – o metilfenidato, é um estimulante do sistema nervoso central - SNC), tem o mesmo mecanismo de ação das anfetaminas e da cocaína, bem como de qualquer outro estimulante. Ela aumenta a concentração de dopaminas (neurotransmissor associado ao prazer) nas sinapses (responsáveis pela troca de informações entre os neurônios e as células), mas não em níveis fisiológicos”, relata a médica.

              Ela diz que há um risco muito alto para o desenvolvimento da criança. “A lista de sintomas é enorme. Se a criança já desenvolveu dependência química, ela pode enfrentar a crise de abstinência. Também pode apresentar surtos de insônia, sonolência, piora na atenção e na cognição, surtos psicóticos e alucinações. São dados registrados no Food and Drug Administration (FDA). Além disso, aparecem outros sintomas como cefaleia, tontura e efeito ‘zombie like’, em que a pessoa fica quimicamente contida em si mesma”, alerta a médica.

              Ela salienta ainda que, no sistema cardiovascular, a droga pode causar hipertensão, taquicardia, arritmia e até parada cardíaca. Já no sistema gastrointestinal, pode provocar boca seca, falta de apetite, dor no estômago. “A droga interfere em todo o sistema endócrino, que interfere na hipófise. Altera a secreção de hormônios sexuais e diminui a secreção do hormônio de crescimento. Logo, as crianças ficam mais baixas e também essa droga age no peso. Verificando tudo isso, a relação de custo-benefício não vale a pena. Não indico metilfenidato para as crianças”, frisa.

              Tipos de medicamentos

              No Brasil, existem três medicações principais:

              Ritalina: existem dois modelos. O de curta duração, o paciente fica sob o efeito do remédio de 3 a 4 horas, e o de longa duração, que dura até 8 horas. É um medicamento psicoestimulante e provoca uma maior produção e reaproveitamento de neurotransmissores, por meio da dopamina e da serotonina, responsáveis pelo controle de movimentos, aprendizado, humor, emoções, cognição, sono e memória.

              Concerta: funciona mais ou menos da mesma forma que a Ritalina, mas muitas vezes é melhor tolerado. Apresenta efeito de longa duração – até 8 horas.

              Venvanse: chegado recentemente no Brasil, esse medicamento vem tendo uma boa aceitação. É um estimulante do sistema nervoso central, que pode ajudar a aumentar a atenção e diminuir a impulsividade e a hiperatividade em pacientes com TDAH. Deve ser ingerido uma vez ao dia, devido seu efeito de longa duração.

              Nossas Fontes

              Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp

              Eloisa Helena Rubello Valler Celeri, do ambulatório de Psiquiatria e Psicologia Médica do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp

              Silvana Frizzo, neurologista

               

              Fonte:

              Artigo desenvolvido pelo projeto NA MOCHILA, que em parceria com as escolas oferece uma revista por bimestre aos pais de alunos do ensino Infantil e Fundamental I. Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

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